TEATRO NEGATIVO
103ª CRIAÇÃO DO TEATRO DA GARAGEM

TEXTOS ALBERTO VELHO NOGUEIRA
DIREÇÃO ARTÍSTICA E Encenação Carlos J. Pessoa
[cancelado]
7 NOVEMBRO 2020 
[sáb 21h30]
Teatro Taborda

 

O Teatro da Garagem tem o privilégio de apresentar uma performance a partir da obra Teatro Negativo de Alberto Velho Nogueira (AVN). AVN é um autor extraordinário por escrever de uma maneira singular: desde os anos 70 radicado na Bélgica, AVN escreve em português, mas é um autor de geografia aberta. Um escritor free jazz, de fraseologia requintada, multipolar, adstringente, avesso a convenções, indomável e de uma energia criativa impar. AVN é um homem raro. Um autor quântico que, ao mesmo tempo, é capaz de discorrer em sentidos opostos et pour cause, afável e pedagógico.  Dar forma cénica aos textos de AVN é um desafio impossível porque o autor se posiciona no domínio da impossibilidade. Isto significa que as regras do jogo cénico devem permitir a respiração desse desiderato de absoluto, desse império libertário e libertino, que perpassa pela génese gorgolejante, e cacofónica, da escrita. O texto é um corpo em formação e em deformação; é construído e desconstruído; escaqueirado, com alegria. Dá-se a ler adentro e afora de si; em correias de transmissão dispares, inquietas; um inverosímil urgente. TEATRO NEGATIVO promove sentidos, nexos, e sabota-os de seguida. TEATRO NEGATIVO dá-se a ver e, imediatamente, quando não antes (!), esconde-se, rebela-se, rebola, ou expande-se, desmesuradamente. TEATRO NEGATIVO é a negação do teatro sem que, com isso, não deixe de ser teatro; de alimentar a fornalha íntima do teatro na sua negação necessária. Sendo desconcerto, TEATRO NEGATIVO é conserto e concerto, (i)Lda.

O ponto de fuga do espectáculo é o próprio AVN, também músico. O autor com a bateria, em cena, ao vivo, dá a pulsação da perfomance, acompanhado pelo clarinetista-baixo Paulo Galão. Duas bicicletas invertidas, dois infinitos centrífugos, cujas rodas disparam sons e luz, constituem o cenário. As etapas sucedem-se: as improvisações, as imagens e a cadência das palavras. Quase um sortilégio a que não escapam rupturas vocais que sinalizam o mapeamento do intrincado verbal. As actrizes, Ana Palma, Rita Monteiro e Anette Naiman (do Teatro Garagem, São Paulo, Brasil), dizem os segmentos de TEATRO NEGATIVO, alguns, do milhar e tantos que constituem a obra, como telégrafos amáveis; uma cadência continua preenchida de pequenos sobressaltos, respirações, que sustêm múltiplos sentidos; a decifrar, a consentir, ou não. O conflito do TEATRO NEGATIVO está nessas suspensões, na derivação duradoura entre tangentes, perspectivas, glossários e materiais avulsos, de sedimentação antiga.

A desmesura de TEATRO NEGATIVO convém a esta época; é uma decifração sem propósito evidente; um descaminho que abre portas, e fecha outras, numa mecânica desafiadora da ditadura sanitária, estética e ideológica, instalada. O teatro não cessa de se expandir para lá dos efeitos conhecidos e consagrados. TEATRO NEGATIVO, como um mergulho em apneia, trilha a escuridão.

Carlos J. Pessoa

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Texto Alberto Velho Nogueira
Direção Artística e Encenação Carlos J. Pessoa
Interpretação Ana Palma, Anette Naiman e Rita Monteiro
Música Alberto Velho NogueiraDaniel Cervantes e Paulo Galão
Sonoplastia  Daniel Cervantes
Cenografia e Figurinos Sérgio Loureiro
Operação de Luz Gonçalo Morais
Direção de Produção Raquel Matos
Produção e Comunicação Joana Rodrigues

Financiamento Direção-Geral das Artes, Governo de Portugal | Ministério da Cultura
Apoios Câmara Municipal de Lisboa, EGEAC, Junta de Freguesia de Santa Maria Maior

M/14 | duração aproximada 30 min

Bilhete Único de 8,00€. Compre aqui.

Mais informações:
218 854 190 | 924 213 570
producao@teatrodagaragem.com

Teatro Taborda Costa do Castelo 75, 1100-178 Lisboa

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