1 JUN a 1 JUL 2018

A memória de quem não sou

 

Exposição de Agnes Vera
com curadoria de Thomas Mendonça

 

1 JUN a 1 JUL 2018 | ter a dom, 15h00 – 00h00 | TEATRO TABORDA
[Inauguração 1 junho, às 18h30]

Inicia-se uma correspondência entre remetentes e destinatários que foram, à partida, perfeitos desconhecidos.

O primeiro contacto estabelece-se sempre por iniciativa de Agnes Vera que, ao acaso, remete algures no mundo uma carta solicitando que o correspondente lhe descreva uma memória de infância. Essas memórias são variadas, relatadas tanto em inglês como nas suas línguas nativas. Por vezes fazem-se acompanhar de fotografias também da infância de quem nos escreve. Algumas memórias de infância não são memórias de infância, são apenas cartas. Contextualizam o correspondente, conferindo-lhe um nome, um género, uma nacionalidade, uma idade e uma caligrafia. Contam-nos detalhes acerca dos locais onde habitam, falam-nos sobre a chuva e sobre o tempo. Algumas são detalhadas, outras menos, todas muito curiosas, uma é particularmente hilariante.

Os postais são todos diferentes, sentimos que alguns terão sido escolhidos a dedo, outros remetem para um acaso desleixado, poucos são ilustrados por quem nos escreve. Os selos são o verdadeiro cunho nacional e higienizante destas cartas. Sobreposto ao papel, à escrita – tanto a nível gráfico como a nível de conteúdo – o selo age como uma máscara que vem subitamente acrescentar um ponto à identidade destas cartas. Como se o postal fosse o corpo e a escrita fosse a nossa história enquanto sujeito, o selo recorda-nos que existem fronteiras. Que as pessoas nascem sempre aqui ou ali, mas nunca nascem só. Recorda-nos também que a infância existiu dentro de cada corpo, mas nunca existiu duas vezes da mesma forma. Recorda-nos que parte da nossa identidade pessoal é coletivamente estratificada. Recorda-nos, por fim, que somos cultura dentro de um envelope.

 

Agnes Vera (n.1993, Portugal), artista plástico licenciada pela FBAUL, reside em Lisboa. O seu trabalho manifesta-se na escultura, no vídeo e no desenho. Em 2015 passou pela Escola Superior de Arte dos Pirenéus em França onde iniciou o seu projecto de recolha de memórias de infância de todo o mundo e o seu interesse em trabalhar a imagem física e conceptual da criança.

 

ENTRADA LIVRE