Piolhos e Actores
de Sanchis Sinisterra
6 a 9 Mai | 21h30
Rios e Solano são dois actores cómicos ambulantes, perdidos no tempo e no espaço. Reencontram-se no “aqui” e “agora” da representação teatral.
Chegam ao teatro carregando um velho baú que contem todo o seu aparato teatral. Têm de apresentar ao público um espectáculo, mas as suas dúvidas, temores e inquietações interrompem e atrasam constantemente a representação.
Recorrendo a diversos planos e dimensões no jogo da interpretação, a peça constitui uma reflexão sobre o ofício do actor, sobre a condição do espectador e sobre a necessidade humana de perdurar, de deixar uma marca, o que torna o espectáculo uma metáfora da precariedade da própria condição humana.
Tradução e Encenação António Capelo
Interpretação Miguel Mendes, Nelson Cabral
Cenário e Figurinos António Capelo
Desenho de Luz André Raposo
Spot TV e Making Off Andreia Luís
Design Joana Dias
Produção Executiva Nelson Cabral, Pedro Pacheco, Ruben Soares Luís, Samira Pereira
Uma produção Associação Cultural despe-te-que-suas
Co-Produção Teatro da Garagem e ACE Teatro do Bolhão
Fala-me Como a Chuva e Deixa-me Ouvir
de Tennessee Williams
encenação de ANA PALMA
18 a 28 Maio | 21h30
Em Fala-me Como a Chuva e Deixa-me Ouvir, Tennessee Williams explora a tensão psicológica e espacial de dois personagens – um homem e uma mulher – numa peça de um só acto, com uma respiração poética e onírica. O homem queixa-se da falta de diálogo entre os dois e gostaria que ela lhe falasse como a chuva que se faz ouvir lá fora, acompanhada pelo choro lúgubre das notas de um bandolim. A mulher aproxima-se dele, ou será ele que se aproxima dela, e deixa que ele lhe toque o pescoço e lhe implore que fale. Em resposta, contudo, diz-lhe que gostaria de partir dali de não estar ali e, na realidade, ouvimo-la descrever o hotel para onde supostamente vai e onde ficará a viver até que esqueça o próprio momento em que decidiu partir. No final, ouve-se a chuva e a mesma súplica: «Fala-me como a chuva e deixa-me ouvir». Mais do que o desespero de um desejo, impossível de realizar, é o silêncio de sermos anónimos um para o outro que nos assombra os dias.